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O modelo linear tradicional, que vem de estudos

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"E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica. "Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta.

Flibanserin é o mesmo que Viagra?

O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson. A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução. Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim. das décadas de 60 e 70, ignora o que

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ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher:

Para que serve

Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália.

Qual o efeito do flibanserin?

O homem sente desejo e tem uma ereção. No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas. Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa. "Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque".

Estudo Ano População Resultado principal Conclusão
Berman et al. 2003 Mulheres com disfunção sexual Sem melhoria significativa vs placebo Ineficaz na população geral
Nurnberg et al. 2008 Mulheres com disfunção por ISRS Melhoria modesta na excitação Potencial em subgrupos específicos
Alexander et al. 2004 Mulheres pós-histerectomia Aumento da lubrificação vaginal Benefício limitado em contexto cirúrgico
Caruso et al. 2001 Mulheres saudáveis Sem efeito na libido Não recomendado para uso off-label

Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear -

Viagra feminino: mito ou realidade?

Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão. O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual.

1. Flibanserin

Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. quando não têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo.

  • A avaliação dos níveis de estradiol, testosterona total e livre, e TSH é recomendada em casos de queixas persistentes.
  • O tratamento da dor pélvica crónica deve ser multidisciplinar, envolvendo ginecologia, urologia e fisioterapia.
  • As mulheres em amamentação podem experienciar secura vaginal e redução do desejo devido à prolactina.
  • A prática regular de exercícios de Kegel fortalece o pavimento pélvico e pode potenciar a sensibilidade.
  • A aceitação das mudanças corporais com a idade é um fator protetor para a satisfação sexual.

Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a

Só para tratar transtornos

Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena. Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber. A droga chegou a ser rejeitada duas vezes pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulatório americano, antes de ser aprovada. Uma das vozes críticas foi a da professora do departamento de Psicologia da Universidade de Utah Lisa Diamond, que pesquisa a sexualidade feminina.

3. DHEA

A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - como tomar viagra fazer efeito um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real". Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e

  • A educação sexual ao longo da vida, incluindo na idade adulta, é promovida pela Direção-Geral da Saúde.
  • O desejo reativo, que surge após estímulo, é mais comum nas mulheres do que o desejo espontâneo, o que é normal.
  • A fadiga crónica, a anemia e a deficiência de vitamina D são causas reversíveis que devem ser rastreadas.
  • Alterações na relação com o parceiro, como rotina ou conflitos não resolvidos, têm impacto direto na libido.
  • A consulta de planeamento familiar pode ser um primeiro ponto de contacto para abordar estas questões sem estigma.

excitação são etapas de um processo que se retroalimenta

  • A terapia sexual com psicólogo clínico ou sexólogo é frequentemente a primeira linha de abordagem no Serviço Nacional de Saúde.
  • Os problemas de desejo podem estar associados a medicação antidepressiva, nomeadamente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina.
  • A comunicação aberta com o parceiro é essencial para reduzir a ansiedade de desempenho e a pressão emocional.
  • O exercício físico regular, como caminhadas ou natação, melhora a autoestima e a circulação sanguínea pélvica.
  • A privação de sono e o stress laboral são fatores frequentemente negligenciados na diminuição da libido feminina.

e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos. Essa discussão é importante não apenas para entender

1. Existe uma explicação para a queda do desejo?

Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica. "Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres".

5. Maca peruana

Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. "Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou. melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que

Nome comercial Princípio ativo Forma farmacêutica Indicação principal Entidade reguladora
Vyleesi Bremelanotida Injeção subcutânea Transtorno do desejo sexual hipoativo EMA (aprovado, mas não comercializado em Portugal)
Addyi Flibanserina Comprimido oral Transtorno do desejo sexual hipoativo EMA (não aprovado)
Ovestin Estriol Creme vaginal Atrofia vaginal e secura Infarmed
Intrinsa Testosterona Sistema transdérmico Desejo sexual hipoativo pós-menopausa cirúrgica EMA (autorização revogada)

são problemas que de fato precisam de tratamento

4. Qual foi o resultado dos primeiros testes?

Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão. Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. "Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico.

Carrinho vazio?

Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro. Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina. A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam. e o que é da natureza da sexualidade feminina.

  • O aconselhamento sobre timing da relação, evitando pressa e dor, é parte integrante da abordagem terapêutica.
  • A literatura recomenda a realização de exames de rotina, como citologia e ecografia pélvica, para excluir patologia.
  • Os fitoterápicos como o ginseng e a damiana carecem de estudos clínicos robustos em mulheres portuguesas.
  • O sucesso terapêutico depende mais da relação de confiança com o médico do que de qualquer comprimido milagroso.
  • A informação credível pode ser obtida na Ordem dos Farmacêuticos e em publicações da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

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